PROPOSTA DE TRABALHO - 2010

TURMA: 2ºD/9
PROFESSORA: MICHELE CARMINATTI QUISSINI

Como é grande a responsabilidade do alfabetizador, que encontra na sua sala “vinte e poucas” mentes curiosas de saber, de desvendar o mundo das letras e dos números e mais “vinte e poucas” famílias ansiosas para que seus filhos leiam, escrevam, contem, façam cálculos, adquiram conhecimento...

No 2º ano do Ensino Fundamental o objetivo maior é a compreensão da leitura, da escrita e das habilidades de calcular. Porém as atividades vão além do saber ler, escrever, contar e fazer cálculos. Há de se fazer a criança perceber por que é importante saber ler, escrever e contar, qual a função social destas ações no seu cotidiano, para que, onde e quando elas podem ser utilizadas. Mais que apenas codificar palavras procura-se desenvolver um trabalho que faça com que as crianças pensem num contexto, buscando um significado para cada trabalho produzido em sala de aula ou junto com a família, proporcionando situações às crianças para que elas descubram-se agentes do seu próprio conhecimento, autônomos, capazes de pensar qual a melhor decisão a ser tomada, que os “erros” podem ser uma caminho para os acertos. Essa reflexão sobre o porquê fazer cada atividade permite que cada criança realize sua ação de forma mais autônoma e crítica e percebendo que um conhecimento leva a outro, uma coisa puxa a outra, não há conhecimento isolado.
Como conseguir isso? Cada dia será diferente do outro. Às vezes, na mesma sala as coisas acontecem de jeitos diferentes: atividades lúdicas, jogos, atividades individuais, diálogos, desafios... são meios para atingir os objetivos. O professor age como um mediador, um “criador de dúvidas” que induz as crianças a procurarem saber o porquê das coisas. É aquele que identifica o que o aluno sabe (e o faz perceber isso) e o ajuda reorganizar este conhecimento de maneira mais elaborada, com mais e novas informações que contribuam para a sua caminhada. Para isso o uso de materiais concretos e da realidade das crianças é fundamental para que elas tenham um ponto de referência para organizar seu pensamento e, quando se sentirem seguras, gradualmente, iniciem o pensamento abstrato. Fundamental também neste processo é a parceria com a família para que sempre acompanhe e incentive seu desenvolvimento, valorizando cada conquista e mostrando-se parceira para enfrentar os desafios.
É importante, também, oportunizar para as crianças diferentes situações de convivência em sala de aula, como formação de grupos e trabalhos individuais para que elas crianças sintam-se pertencentes a um grupo maior, e que dentro deste elas tem o direito e o dever de participar, respeitando as particularidades alheias, construindo relações heterogêneas, no sentido de cada uma é única e homogêneas, no sentido de que haja um respeito mútuo, permitindo desde o início do ano a inclusão de todos no grande grupo.
Deste modo a avaliação abrange a totalidade da criança, o tempo todo. Cada dia é uma prova? Mais ou menos. Tudo fica registrado, suas atitudes, o modo como procede para resolver uma situação, o processo que percorre para elaborar um texto, a capacidade de refletir sobre o que está fazendo e, assim, continuamente cada um, de acordo com o nível em que se encontra, vai sendo estimulado a avançar mais, a buscar mais e vencer suas dificuldades. Assim o professor lança um olhar específico para cada criança para acompanhar o avanço da sua individualidade e identificar que outras metodologias são eficientes para sanar suas dificuldades e fazê-lo avançar no processo de aprendizagem. Quando percebemos que tudo que ele aprendeu sai dos cadernos e passa a participar do seu cotidiano eu diria que o aluno esta estudando a matéria trabalhada em sala de aula. Ou, então, quando vê uma notícia na televisão e relaciona com algum assunto discutido, ele está estudando este conteúdo. Quando ele busca mais informações, traz materiais para pesquisa, partilha o que encontrou, seja em sala de aula, ou com sua família ele está estudando.
É fácil? Não! É gratificante? Muito! É trabalhoso? E como! Buscar saber sempre mais, pensar sempre à frente, criar e recriar novos meios e caminhos é fundamental para desenvolver um bom trabalho com esta nova geração que já não caminha, voa. Mas não podemos deixar de lado o ser, o afeto, o ser humano, que sabe equilibrar, todas as informações que recebe para a construção de sua personalidade, seu conhecimento. Utopia? Creio que não, basta acreditar que é possível, trabalhar para isso e persistir (nas iniciativas e na paciência), para que passo a passo, um dia de cada vez o aprendizado seja construído por professores, alunos, famílias, escola, comunidade.